terça-feira, 5 de setembro de 2023

não é nada hermético, em se tratando do tempo (08.21)

 Crepúsculos espectrais de inconspícuo,

tratar com o sr. Mafagafo, com a algibeira, na sala de estar

tratar compenetrado tragando a subserviência num ardil,
deixando as soleiras no galho duma rapariga
empoleirando o desejo num quindim
e diversificando o meu amor
num lençol de vidro

"estamos todos a bordo desse vigilante"
você anunciava
e o rubor do rosto falava do nosso antigo navio
de uma cascavel escondida na abertura das 14h
-mas estávamos mesmo era à deriva
em um desenho açude
de um inverno pueril

peço que os limões não me aderecem o hipnótico dizer das cigarras
apenas que os dedilhados adoçados da mulher se escondam candidatos enfios

e que tudo continue em cima da mesa
e que orelhe a tarde que ainda fecha
descascando o barulho oval da vertigem
desdizendo a espera do carnaval
e sobrando remédios de esquecer o tédio

eu sou pilantra se você não admitir que
o homem tem seus segredos
em uma caixinha de fósforo
que tanto idealiza um idiofone
quanto martiriza a primavera dos sapos

eu continuo um sapato de ojeriza na sua vertical
guardado feito num armário humano
metade boi metade descanso

uma ladeira uma escada um aquário na varanda
fazem eu acordar do sonho antes da noite
que é quando as pupilas mudam de signo
bichando o quadril das trovadeiras
das lavadeiras e suas canções

eu não tenho medo do sossego
meu andar tem desapego insalubre
saudando descalço a brincadeira inocular