Imagina um dia conhecer (to meet) uma pessoa pessoalmente e quase nunca mais ver a não ser virtualmente. Ou então imagina uma dessas pessoas que a gente conhece virtualmente mesmo, e vocês até se falam virtualmente, e passam a se conhecer (to get to know) exclusivamente nesse âmbito.
Só que daí vocês decidem se encontrar no mundo físico (Temos alguns exemplos de casos assim, você tem os seus, eu os meus e tem a gente mesmo, de certa forma). E aí no dia quando finalmente conhecer (meet) a pessoa pessoalmente e estar-lá finalmente, vocês a perceber-viver o que vocês dois. os seus corpos, um com o outro são. Perceber todos os hábitos (ethos) de cada corpo (O jeitinho, que você tanto falava, caramba é a palavra ideal).
Desde o andar da pessoa, da pessoa atravessando a sala o corredor o recinto e você pensando "meudeuseunãoconhecia essa pessoa,,, eu-até-achava-que, m-mas faltava tudo isso como que eu não pensei nisso?". Desde os braços, das pernas, da cabeça; até o rosto, até os olhos, as mãos, o que dizem, o que pedem, oferecem? Olha só como é único, um mundo em si; olha como os membros cortam o ar na minha frente enquanto este corpo se presentifica na minha frente. E o corpo na verdade não revela nada além dessa pessoa, o corpo não esconde; o corpo faz parte dela, e tem parte n'ela. E compõe muito mais quem essa pessoa é! Quando era mais virtual que físico era como enxergar pelo buraquinho da porta... mas agora? Agora, você consegue ver muito mais. Tanto. Nesse momento você é incapaz de falar qualquer coisa.
A pessoa vem andando até você, ou vocês andando, até que chega um momento em que ambos estão ocupando um espaço próximo o suficiente para dividi-lo entre dois, de modo a possibilitar a comunicação de vocês como uma troca de sis, os seus mundo-corpos se encontrando na fronteira do espaço entre essas entidades físicas que são, alguém fala algo e a voz vibrando entre os sentidos dos dois; falar também é corpo, é presença do corpo no espaço. Inclusive, se não fosse o mundo virtual/digital existir em oposição a este real, eu não sei se seria capaz de pensar essa constatação.
E há uma leitura total fenomenal - qualia? - que foge à descrição verbal típica do topos virtual, leitura que comumente nos esquecemos, quando nos prendemos às palavras. Dessa leitura, dessa impressão que nos marca na memória dos cinco sentidos, existe uma possibilidade grandiosa de se apetecer e de se sentir em um conforto idiossincrático nessa presença. Alguns tem até uma palavra pra isso, que não ouso dizer por medo de saturá-la - mas lembra, estou falando daquela sensação quase física. Uma memória acompanhada de falta em si, mas uma falta que você não sabe onde está. Um buraco, que é por definição o não-lugar inscrito num lugar, está agora em um não-lugar.
(para giu)
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